• en
  • pt-pt
  

Single Blog Title

This is a single blog caption

O que eu vi no Web Summit 2015

Luis Leal Leonor

Luis Leal Leonor CEO 2iBi | software www.2iBi.com

Na primeira de semana de Novembro decorreu a 5.ª edição do Web Summit em Dublin na Irlanda.

Esta é uma conferência para empresas e pessoas ligadas à área tecnológica e às startups. A sua primeira edição foi em 2010, com a presença de 400 pessoas e onde os oradores eram empreendedores e investidores locais. Na edição deste ano o evento contou com a presença de 40.000 pessoas oriundas dos 5 continentes.

Quem eu vi

Michael Dell é o fundador da DELL. Numa entrevista no palco central ele explica porque decidiram tornar a empresa privada (deixar de estar cotada em bolsa). A razão apontada foi ter mais liberdade e mais flexibilidade na execução dos planos de expansão que Michael Dell tinha para a empresa que ele próprio fundou em 1984.

Neste momento a Dell deixou de ser uma empresa apenas de computadores e servers, para ser um player com soluções integradas e alargadas no negócio de infra-estruturas de IT. Para isso contribuiu a aquisição da EMC, especialistas de armazenamento, e da VMWare, líder em soluções de virtualização de IT.

Corinne Vigreux é co-fundadora da TomTom, sim aquela TomTom que fabrica os navegadores GPS que muitos de nós usamos ou já usámos nos nossos automóveis.

Corinne contou como e porquê que ela e os seus 3 colegas fundadores da empresa decidiram há 25 anos criar uma empresa que revolucionou a forma como as pessoas conduzem automóveis.

O principal conselho da Corinne para os empreendedores e as startups foi que acreditem no que estão a fazer, independentemente do que oiçam do exterior. Ela conta que se não existem dados sobre o potencial de um determinado produto ou serviço, é porque esse produto ou serviço ainda não existe ou não foi testado. Isso não quer dizer que não tenha potencial ou não terá sucesso. Quer apenas dizer que ainda ninguém tentou. Foi o que aconteceu com o TomTom Navigator quando foi lançado em 2002.

Bill Ford é o executive chairman da Ford Motor Company. Também é bisneto do Henry Ford, fundador da Ford e construtor do Ford T em 1908.

Bill falou da sua visão do futuro do uso do automóvel. Na sua opinião, nas áreas metropolitanas, o automóvel deixará de ser um produto para ser um serviço. Isto quer dizer que cada pessoa deixará de comprar o seu automóvel, e passará a partilhar um serviço de transporte com outras pessoas.

Yancey Strickler é co-fundador e CEO do Kickstarter, uma plataforma de crowdfunding online que já ajudou a financiar quase 100.000 projectos que angariaram mais de 2 biliões de US dólares.

A apresentação do Yancey Strickler mostrou que a euforia de angariação de investimento por parte das startups nos últimos anos pode não fazer sentido por si só. Há alguns dias comentei isto com o José Dionísio, co-fundador e co-CEO da PRIMAVERA BSS. Ele confirmou essa mesma opinião e explica-a num artigo publicado no Expresso recentemente.

A ideia de criar uma startup com o único objectivo de encontrar investidores e angariar investimento não é suficiente. Se a startup não gera receitas, e às vezes passa anos sem que isso aconteça, talvez não seja sustentável. No final uma startup é um negócio, e como negócio que é deve gerar receita e ter lucros. Se não for para ter lucros, então deve ser uma entidade sem fins lucrativos e não uma empresa.

Também deve ter um Propósito, uma Visão, uma Missão, de contribuir para a comunidade, seja ela local, regional ou global.

Existem alguns bons exemplos de sucesso de startups tecnológicas que nasceram e cresceram nos últimos anos sem recurso a rondas de angariação de investimento. Um deles é o Basecamp, que desenvolve um software de gestão de projectos na cloud. Os fundadores desta empresa escreveram 3 livros onde contam como o fizeram e chegaram ao sucesso que atingiram. Confesso que a leitura de dois desses livros, Rework e Remote, me inspiraram no desenvolvimento da equipa da 2iBi.

Lusofonia

Na noite anterior ao primeiro dia do evento o Embaixador de Portugal na Irlanda ofereceu uma recepção às empresas e participantes Portugueses no Web Summit. Nesse serão estiveram presentes mais de 200 pessoas de startups, grandes empresas, consultores e simples participantes, todos de origem Portuguesa. O ambiente de networking era fantástico, a partilha de experiências, os conselhos dos mais experientes, e tudo isto em língua Portuguesa (o vinho também era Português claro).

Nesse dia conheci a VEEDEEO uma startup Portuguesa liderada pelo Carlos Tavares, que desenvolveu uma plataforma Web para permitir a integração entre diferentes sistemas de vídeo conferencia empresariais. Um bom exemplo da qualidade e inovação da tecnologia desenvolvida em Portugal.

Uma startup de Moçambique

A UX é uma startup de Moçambique que esteve presente no Web Summit pela primeira vez em 2015. A sua face mais visível em Moçambique é o portal de recrutamento emprego.co.mz que nós usamos frequentemente na 2iBi. Acredito ser o único do género disponível em Moçambique.

Este é um bom exemplo de empreendedorismo e inovação e é mais um factor de confiança a mostrar que é possível desenvolver soluções web e tecnológicas em Moçambique.

Em 2016

Em 2016 o Web Summit fica mais próximo. Será em Lisboa na FIL, Parque das Nações. As condições existentes em Lisboa, o aeroporto na cidade, e o entusiasmo que os Portugueses demonstraram convenceu a organização do Web Summit e o seu CEO Paddy Cosgrave.

Em Novembro encontro-vos por lá!